A Justiça Federal reforçou os critérios para a emissão de precatórios e Requisições de Pequeno Valor (RPVs). A medida busca aumentar o controle sobre os créditos judiciais e evitar que os tribunais emitam requisições de pagamento antes da definição dos valores devidos. Mas o que isso significa para quem já tem um precatório ou está aguardando a emissão do documento?
A principal preocupação é garantir que a Justiça tenha definido o direito ao crédito e o valor da dívida antes de encaminhar a cobrança para pagamento, respeitadas as hipóteses legais de valores incontroversos. Para pessoas que têm um precatório, entender essas exigências ajuda a acompanhar o andamento do processo e identificar quais etapas ainda precisam ser concluídas.
Neste artigo, você vai entender o que motivou as medidas, como funciona a emissão de precatórios e quais cuidados merecem atenção.
Boa leitura!
Sumário
- O que a Justiça Federal determinou sobre a emissão de precatórios?
- Por que a Justiça Federal reforçou essas regras?
- O que é necessário para emitir um precatório?
- O que significa trânsito em julgado?
- Quem pode ser afetado pelas novas medidas?
- As regras alteram o pagamento dos precatórios já emitidos?
- Como consultar a situação do seu precatório?
- Perguntas frequentes sobre emissão de precatórios
O que a Justiça Federal determinou sobre a emissão de precatórios?
Em 6 de outubro de 2026, o presidente do Conselho da Justiça Federal (CJF) e do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro Luis Felipe Salomão, determinou medidas para reforçar o controle sobre a emissão de precatórios federais e RPVs. A decisão exige que a Justiça tenha definido de forma definitiva tanto o direito ao crédito quanto o valor devido antes de emitir a requisição de pagamento. Além disso, as medidas estabelecem três pontos importantes:
- Discussões judiciais pendentes: os tribunais devem observar a conclusão das discussões sobre o crédito e seu valor antes de emitir a requisição, ressalvadas as parcelas autônomas e efetivamente incontroversas.
- Bloqueios de saque: a Justiça não pode utilizar restrições ao levantamento do dinheiro como alternativa para emitir uma requisição que ainda não atende aos requisitos.
- Requisições irregulares: os órgãos responsáveis devem verificar a regularidade dos documentos e adotar as providências de cancelamento quando identificarem emissões em desacordo com as exigências.
As determinações integram a Resolução CJF nº 995/2026, que alterou a Resolução nº 983/2026. A nova norma foi editada ad referendum, ou seja, sujeita à confirmação posterior pelo colegiado do Conselho. As medidas urgentes, porém, tiveram aplicação imediata.
Por que a Justiça Federal reforçou essas regras?
A iniciativa busca melhorar a segurança e a regularidade dos procedimentos de pagamento de dívidas judiciais da União. Antes de emitir um precatório, o tribunal precisa ter informações suficientes para identificar quem possui o direito ao crédito e quanto o poder público deve pagar. Entretanto, alguns processos ainda apresentam discussões sobre os cálculos ou sobre partes da dívida. Nesses casos, uma requisição emitida antes da definição necessária pode exigir correções posteriores.
Por isso, o CJF reforçou a necessidade de verificar os requisitos legais antes da emissão. O Conselho já discutia o aprimoramento desses controles no início de outubro. Em reunião realizada no dia 2, representantes da Justiça Federal analisaram mudanças nos procedimentos de expedição e formas de aumentar a segurança do sistema.
O que é necessário para emitir um precatório?
O precatório é uma requisição de pagamento que a Justiça emite quando um órgão público deve determinado valor em razão de uma decisão judicial. Entretanto, vencer uma ação contra o poder público não significa que o precatório será emitido imediatamente. Primeiro, o processo precisa cumprir as etapas necessárias para definir a obrigação de pagamento. Depois, a Justiça verifica o valor devido e as condições para expedir a requisição.
Com as medidas de outubro de 2026, o CJF reforçou a exigência de que o crédito tenha certeza, liquidez e exigibilidade em caráter definitivo. Esses termos jurídicos podem parecer complicados, mas possuem significados importantes:
- Certeza: a Justiça reconheceu a existência do direito ao crédito.
- Liquidez: o processo definiu o valor devido ou permite sua determinação definitiva.
- Exigibilidade: o crédito reúne as condições jurídicas necessárias para que o credor possa exigir o pagamento.
Assim, a emissão depende da verificação desses requisitos, observadas as exceções previstas na legislação.
É possível emitir um precatório enquanto parte do valor ainda está em discussão?
Sim, em situações específicas. A determinação do CJF preserva a possibilidade de pagamento de uma parcela autônoma e efetivamente incontroversa. Isso significa que, quando uma parte independente do crédito já está definitivamente definida e não depende da discussão restante, a Justiça pode avaliar sua requisição separadamente.
Entretanto, essa possibilidade exige o cumprimento dos requisitos legais. Portanto, não basta que o credor considere determinado valor correto.
O que significa trânsito em julgado?
O trânsito em julgado acontece quando uma decisão judicial se torna definitiva, porque não cabe mais recurso contra ela. Imagine que uma pessoa processe a União para receber valores atrasados. Após analisar o caso, a Justiça reconhece o direito ao pagamento. Entretanto, ainda pode existir uma discussão sobre o valor exato da dívida. Nesse exemplo, a definição do direito e a apuração do valor são etapas que precisam ser observadas antes da emissão do precatório.
Por isso, o trânsito em julgado da decisão que reconhece o direito nem sempre encerra todas as discussões necessárias à expedição. A Justiça também precisa verificar se a fase de cumprimento de sentença ou execução já definiu o crédito conforme as exigências aplicáveis.
Quem pode ser afetado pelas novas medidas?
As determinações interessam principalmente a pessoas que possuem processos contra a União e outras entidades submetidas ao sistema federal de precatórios. O impacto prático depende da fase em que cada processo se encontra.
Quem ainda aguarda a emissão do precatório
Quem venceu uma ação, mas ainda não recebeu a requisição, deve acompanhar a conclusão dos cálculos e das discussões judiciais. Caso exista alguma pendência sobre o crédito, a emissão poderá depender da resolução dessa questão.
Quem já possui um precatório emitido
Nesse caso, é importante distinguir uma requisição regularmente expedida de outra que eventualmente apresente problemas em sua origem. As medidas preveem a verificação da regularidade das requisições. Entretanto, isso não significa que todos os precatórios já emitidos serão cancelados ou precisarão passar novamente pelo processo de emissão.
A eventual adoção de providências depende da identificação de uma situação concreta de irregularidade.
Quem possui uma RPV
As determinações também abrangem as Requisições de Pequeno Valor. Embora as RPVs sigam um procedimento de pagamento diferente dos precatórios, a Justiça também precisa verificar os requisitos necessários à emissão. Assim, o reforço dos controles alcança as duas modalidades de requisição.
As novas regras alteram o pagamento dos precatórios já emitidos?
As medidas anunciadas pelo CJF tratam principalmente da regularidade da emissão das requisições. Portanto, elas não estabelecem um novo calendário geral de pagamento nem modificam, por si só, a posição de todos os credores na fila. Entretanto, uma requisição emitida sem cumprir os requisitos poderá passar por verificação e, quando cabível, cancelamento. Por isso, é importante diferenciar duas situações.
Na primeira, o precatório foi emitido regularmente e segue os procedimentos de pagamento aplicáveis. Nesse caso, a nova determinação não representa, por si só, motivo para cancelamento. Na segunda, a Justiça identifica uma requisição expedida em desacordo com as exigências. Nessa hipótese, os órgãos responsáveis deverão avaliar as providências necessárias.
A Resolução CJF nº 995/2026 também reforça que os tribunais não podem utilizar bloqueios de saque para contornar a falta de definição definitiva do crédito.
As medidas podem atrasar a emissão de novos precatórios?
Em processos que ainda apresentam discussões sobre o direito ao crédito ou seu valor, o cumprimento das exigências pode influenciar o momento da emissão. Entretanto, isso não significa que todos os processos passarão a demorar mais. Quando a Justiça já definiu o crédito e o processo reúne os requisitos necessários, a emissão deve seguir os procedimentos aplicáveis. Assim, o impacto depende da situação individual de cada ação.
Como consultar a situação do seu precatório?
Se você possui um precatório federal, pode acompanhar as informações por meio do Tribunal Regional Federal (TRF) responsável pelo processo. Em geral, a consulta permite verificar a situação da requisição, o número do processo e as movimentações registradas pelo tribunal. Para começar, acesse o portal oficial do TRF e procure a área de consulta de precatórios e RPVs. Em seguida, utilize os dados solicitados pelo sistema, como o número do processo ou outras informações disponíveis.
Você também pode acessar a página do Conselho da Justiça Federal dedicada a precatórios e RPVs.
O que fazer se o precatório ainda não foi emitido?
Primeiro, confira em qual etapa o processo se encontra. Se a ação ainda estiver na fase de cálculos ou cumprimento de sentença, pode existir alguma pendência que impeça a emissão naquele momento. Além disso, vale conversar com o advogado responsável para entender se a Justiça já definiu o valor devido e quais etapas faltam. O acompanhamento ajuda a identificar a situação do crédito sem criar expectativas sobre datas que ainda não foram confirmadas.
As medidas também envolvem a antecipação de precatórios?
Sim. Além de reforçar os requisitos para a emissão das requisições, o CJF recomendou cuidados na análise judicial das cessões de créditos. A cessão ocorre quando o titular transfere a outra pessoa ou empresa o direito de receber determinado crédito.
Nesse contexto, o Conselho destacou a importância da transparência das condições econômicas, da informação adequada ao credor e da confirmação de que ele concordou livremente com a negociação. Para quem considera antecipar um precatório, isso reforça a importância de conhecer as condições da proposta, compreender o valor que receberá e verificar a documentação envolvida. Entretanto, as recomendações não representam uma proibição geral da antecipação de precatórios.
Perguntas frequentes sobre as novas regras de emissão de precatórios
O que mudou na emissão de precatórios em 2026?
O Conselho da Justiça Federal reforçou a exigência de definição definitiva do direito ao crédito e do valor devido antes da emissão de precatórios e RPVs, ressalvadas as parcelas autônomas e efetivamente incontroversas.
A Justiça Federal pode cancelar um precatório já emitido?
As medidas preveem providências de cancelamento para requisições expedidas em desacordo com os requisitos legais. Entretanto, isso não significa que todos os precatórios emitidos estejam sujeitos a cancelamento automático.
Quem já tem precatório precisa fazer alguma coisa?
Em geral, a medida não exige uma providência automática de todos os credores. Ainda assim, vale acompanhar a situação do processo e procurar orientação jurídica caso exista alguma pendência ou determinação específica.
As novas regras valem para precatórios estaduais e municipais?
A Resolução CJF nº 995/2026 disciplina procedimentos no âmbito da Justiça Federal. Os precatórios estaduais e municipais seguem as normas constitucionais e as regulamentações aplicáveis aos respectivos tribunais.
As medidas também afetam as RPVs?
Sim. O reforço dos requisitos de emissão também alcança as Requisições de Pequeno Valor.
Ainda é possível antecipar um precatório?
Sim. A cessão de créditos continua prevista no ordenamento jurídico. Entretanto, cada operação precisa observar os requisitos legais e as condições aplicáveis ao crédito.
O que os credores devem acompanhar a partir de agora?
As medidas anunciadas em outubro de 2026 reforçam a preocupação da Justiça Federal com a regularidade das requisições de pagamento. Para quem aguarda a emissão de um precatório, o principal cuidado é acompanhar a conclusão das etapas judiciais e verificar se o crédito já reúne os requisitos necessários. Já quem possui uma requisição emitida deve continuar acompanhando as informações divulgadas pelo tribunal responsável.
Além disso, quem considera antecipar o crédito precisa avaliar as condições da operação e compreender os valores envolvidos.
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Escrito por
Suany - Redatora SEO




